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maio 25, 2014

Resenha O cavaleiro de bronze

Sinopse: A Segunda Guerra Mundial ainda não havia alcançado a cidade de Leningrado, onde as duas irmãs Tatiana e Dasha Metanova viviam, dividindo um pequeno cômodo com seu irmão, seus pais e avós. Tudo muda quando as tropas de Hitler atacam a União Soviética e ameaçam invadir a grande, mas decadente, cidade. Fome, desespero e medo tomam conta de Leningrado, durante o terrível inverno no qual a cidade foi submetida ao cerco alemão. No entanto, a luz do amor é sempre capaz de iluminar a mais profunda escuridão. Tatiana conhece Alexander, um jovem e corajoso oficial do Exército Vermelho. O rapaz, forte, confiante e guardando um passado misterioso e problemático, e sente-se atraído por Tatiana — e ela por ele. O amor impossível de Tatiana e Alexander ameaça agora dividir a família Metanova. E que segredo é esse que se esconde no passado do soldado, tão devastador quanto a própria guerra?



Cavaleiro de bronze apenas uma palavra que simplifica essa história tão linda e triste, arrebentador! Dificilmente leio livros de época e acho que nunca li nenhum livro que se passava na época do comunismo, um livro que talvez retrate esse período mas do lado oposto é a menina que roubava livros e que eu adorei, mais não tanto quanto esse livro.

"Alexander, minhas noites, meus dias, cada pensamento meu. Você logo se afastará de mim, não é? E eu serei inteira outra vez, e vou me apaixonar por alguém mais, como todo mundo faz. Minha inocência, porém, foi-se para sempre." 

A história se passa em Leningrado e começa quando Hitler não cumpre um tratado que tinha com o "camarada" Stálin, e vai em direção a fronteira russa, Tatiana é a protagonista dessa história, irmã gêmea de Pasha o único filho homem, irmã da sonhadora Dasha sete anos mais velha e vive com os pais e os avós em um apartamento comunitário, sendo que a família tem sorte por ter dois quartos, sendo um dos quartos destinados a Tatiana, os irmãos e aos pais e o outro para os avós. Tatiana e Alexander se conhecem no meio desse caos, quando ela é responsável de pegar os mantimentos e esperava o ônibus, a partir daquele instante tudo mudo na vida de ambos.

"-Shh... Venha aqui - ele disse e a abraçou carinhosamente. - Tania, seja quais forem suas perguntas, a resposta é sim para todas elas - ele sussurrou beijando-lhe o cabelo, sentindo que ela tentava se afastar-se." 

É difícil de descrever magnitude dessa história, o quanto as coisas mudam ao decorrer das páginas, talvez por causa da sinopse imaginamos que pode ser mais um triângulo amoroso em meio a guerra mais não é isso deveria ser ate crime pensar assim. No começo conhecemos a Tatiana ainda uma menina, no final do livro ela é muito mais que uma mulher, não tenho palavras pra descrever a força que ela tem em momentos que muitos desistiriam, mas o que a manteve viva com certeza foi a força do amor por Alexander, ele que amou Tatiana a cada minuto que por isso desistia da própria felicidade, que faria qualquer coisa por ela. Em muitos momentos do livro eu me perguntava que tipo de amor poderia ser aquele, que aceitava ser deixado de lado para fazer as vontades de quem ele amava e a resposta é clara depois, esse é o verdadeiro amor, o único que se tem uma vez na vida, que nem mesmo a guerra, a fome e os segredos podem acabar.

"-Perdoar você? - Tatiana sussurrou entre os dentes, lágrimas rolando pelo seu rosto. - Perdoar você pela sua face corajosa e indiferente, Alexander! - ela gemeu, dolorida. - Não por seu coração corajoso e indiferente." 

A narrativa da autora flui de uma maneira que é impossível largar o livro depois, eu queria mais da história de Alexander e Tatiana, que o destino não foram tão bom para eles e quem amavam.

"-Talvez - ele disse baixinho - em vez de perguntar se você não passa de mais uma de minha lista, você devesse perguntar por que você não é mais uma de minha lista." 

É difícil eu realmente amar tanto um livro como eu amei esse, tinha momentos que eu me sentia exatamente como a protagonista, com fome, cansada e sem forças e mesmo assim querendo cuidar de todos, por que a autora retrata tão bem esse cenário desolado que você se vê no meio da guerra, da fome e principalmente da morte! A morte que deixo para trás rastros de cadáveres nas ruas, nas casas, nas escadas, mas principalmente nas famílias!

"Tivemos um minuto, Tatiana pensou. Tivemos nossos minutos no ônibus. E em Kirov. Tivemos nossos minutos em Luga. E no Jardim de Verão. Arquejantes minutos tivemos. O que nós queremos, ela pensou, evitando fluir, é a eternidade."

Ps: Infelizmente a Novo Conceito que é a editora que lançou o livro no Brasil dividiu o primeiro livro em duas partes,  então quando eu acabei esse livro descobri que na verdade o original possuía 900 páginas, achei uma sacanagem, sorte que eles lançaram a segunda parte agora em Maio porque eu já estava surtando com esse final.
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